Quando
olhamos para as palavras de Paulo nos livros de Galátas e Romanos, percebemos
que existem alguns pontos de difícil compreensão, pois a mente deste apóstolo
estava ligada tanto com a Lei como com o propósito que Deus o deu a conhecer
por meio dos profetas.
Romanos,
uma carta irmã de Gálatas, nos revela coisas incríveis que estavam na mente de
Paulo, com o propósito de que os irmãos pudessem ser edificados e crescessem em
conhecimento de Cristo, compreendendo a Lei de Deus. Havia, naquele meio, uma presença
judaica que queria introduzir o joio em meio ao trigo e, por isso, nasceram
estas cartas, para a correção e repreensão. Nelas, está claro que nenhuma carne
será considerada justa por meio das obras da Lei, pois a justiça de Deus agora
se manifestou por meio da fé em Jesus.
Podemos
perceber que esse é o plano de fundo destas duas epístolas escritas por Paulo, nas
quais ele enfatizava a justiça que procede da Lei em constrate com a justiça
mediante a graça de Deus. Mas, perceba que, quando Paulo falou de obras, ele
quis nos mostrar que quando estávamos sob o regime das obras da Lei, éramos
semelhantes a servos que trabalham e que apenas recebem o seu salário conforme o
seu esforço, mas que pela graça isso nos é dado por favor, como ele mesmo
escreveu:
Romanos 4:4-5
"Ora, ao que trabalha (Que Pratica Obras
da Lei), o salário não é considerado como favor (Graça), e sim como dívida.
Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe
é atribuída como justiça."
Paulo,
utilizando como contexto, da Lei de Deus, o trecho referente à promessa feita à
Abraão, percebeu que este creu nas palavras ditas por Deus e isso lhe foi
contado como justiça. Abraão não havia recebido a ordem de exercer as obras da
Lei, isto é, festas, sacrifícios e circuncisão, mas ao crer foi contado para a
justiça. Portanto, a promessa que Deus deu a Abraão deveria ser cumprida desta
forma. Através deste modelo de fé que Abraão teve e do mesmo modo como ele foi
contado como justo, assim se daria com todos os que cressem da mesma maneira,
mesmo sendo gentios.
Mas,
porque a Lei diz, em relação à justiça que procede da Lei, que "O homem
que fizer estas coisas, por elas viverá"?
A Lei de
Deus diz que Abraão creu e isto lhe foi imputado como justiça, muito antes de a
Lei ter sido dada por intermédio de Moisés ou pela Epístola de Gálatas. Paulo
nos revela, através de uma alegoria, que as duas mulheres de Abraão
representavam as Duas Alianças de Deus estabelecidas com o seu povo. Sara
representa a Nova Aliança e Hagar a aliança do Monte Sinai, que é a primeira. A
esposa de Abraão era Sara, sendo Hagar chamada depois, mas não pela vontade de
Deus. Vemos que a condição de vida dessas duas mulheres nos mostram muitas
coisas, pois uma era esposa livre de obrigação, referente a servos, mas a outra
era escrava que tinha obrigações. E se um servo não obedece ao seu senhor, não
permanece, sendo logo tirado, já que não cumpre com suas obrigações.
Isso se
reflete nos povos que firmaram aliança com Deus, em que um será tido por servo,
como Ismael, que é chamado filho da serva, e o outro será chamado filho da
esposa, contado como dono de todas as coisas do seu pai, pois receberá a
herança dada pelo pai e terá domínio sobre os servos. Por isso, todos os que
estão debaixo da primeira aliança devem praticar obras, pois cabe ao servo
receber através delas, porém, o filho recebe todos os bens do seu pai, ao
contrário do servo.
Cristo é
descendente de Abraão e, quando cremos nEle, passamos a ser um com Ele. Se
somos um, por meio do corpo, passamos a ser descendência de Abraão, portanto, já
não somos mais servos. Assim se cumpre o que diz em Gálatas 4, versículo 5: "para
resgatar os que estavam sob a Lei para que fôssemos adotados como filhos."
Percebemos
que Paulo está nos dando um ensino revelador, um contraste entre as obras da
Lei e da Graça, entre Ismael e Isaque, entre filho e servos, pois todos os que
estavam debaixo da Lei eram considerados como servos, mas em Cristo, agora,
estes foram adotados como filhos. Os filhos adotados têm os mesmos direitos e
já não são considerados mais servos, mas filhos. No ensino da epístola de
Gálatas há uma revelação que devemos levar em conta, pois percebam que Paulo
diz que aqueles que estavam debaixo da Lei não mais estão:
Gálatas
4:4-6
"vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus
enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que
estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós
sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama:
Aba, Pai!"
Estes,
que antes eram servos, agora, em Cristo, foram adotados como filhos e terão
parte na herança. Sendo filhos, não mais precisarão trabalhar como servos, pois
recebem de seu pai como graça. No contexto, nos é ensinado que estes que
estavam sob a Lei estavam sendo conduzidos a Cristo, e quando Ele se manifestou
já não era mais necessário a condução da Lei, isto é, da Justiça da Lei, e que
a servidão que havia na primeira Aliança já não era mais necessária.
Vejam
que os termos "servo" e "filho" são utilizados para fazermos
um contraste entre Ismael e Isaque, os dois filhos de Abraão, um servo e o
outro herdeiro, sendo a Isaque destinada a herança. Paulo nos aponta que os Gálatas queriam
voltar, outra vez, à condição de "escravos", através das festas e
outras coisas mais, nos mostrando que este era o trabalho que os servos da
primeira aliança praticavam, e isto significa estar debaixo de Hagar. Quando Paulo diz: "quereis outra vez vós
escravizar", significa voltar para Hagar, que é serva, ou seja, voltar
para as obras da Lei, obras que todos os servos deveriam praticar.
Moisés
ainda diz: "O homem que praticar estas coisas viverá". O
"praticar" nos aponta para obras e esta era a obrigação do servo.
Agora, podemos compreender o que Paulo tinha em mente em Romanos 4, em que ele
diz que aquele que trabalha recebe seu salário por dívida, mas aquele que não
trabalha recebe sua justiça por graça. Assim, mais uma vez, vemos um contraste
entre servo e herdeiro. Muitos não sabem, ou não querem saber,
que existe uma justiça baseada na Lei e uma justiça baseada na graça, a qual
recebemos como favor, mas que também há uma justiça baseada em obras, sendo
esta a que muitos não compreendem. Paulo nos aponta que tanto os gentios quanto os
judeus que estavam debaixo da Lei não poderiam ser considerados justos diante
de Deus, pois por obras da Lei ninguém será justificado, e é por este motivo
que é dito que, agora, se manifestou a justiça de Deus sem Lei, ou seja, pela
fé.
Justificados
por fé
Paulo
nos diz que o fim da Lei é Cristo, para a justiça de todo o aquele que crê,
deixando claro a expressão "fim". Esta palavra tem dois significados,
um no sentido de finalidade e outro no sentido de término. Perceba que o
contexto nos fala de justiça e, quando ele fala que o fim da lei é Cristo, está
se referindo à justiça da Lei, que estava perdendo o lugar para a justiça da
graça, sendo esta superior e perfeita, já que modifica o homem. Em contraste,
ele diz "Justiça de todo aquele que crê.
Vejam
que, em um versículo já citado, ele afirma que o homem que praticar a justiça
decorrente da Lei, por ela viverá, ou seja, pelas obras da Lei, pois na
primeira aliança os homens estavam atrelados a muitas coisas e obras de Justiça,
as quais todos os dias deveriam ser praticadas por todos os homens
curcuncidados, ano após ano, praticando sacrifícios pelos pecados.
Sabemos
que sacrifícios terrenos de animais não podiam mudar a mente daqueles que
ofereciam essas coisas, já que não podia haver mudança e purificação da
consciência de qualquer homem que se achegasse a Deus com tais sacrifícios. Todavia,
Cristo fez um sacrifício superior, capaz de mudar a mente de quem o aceita. O
seu sangue purifica o coração e a consciência e, assim, somos libertos da lei
do pecado. É nisto que consiste a justiça de Deus, que se manifestou não por meio
das obras da Lei, mas pela fé e por meio do sacrifico de Cristo.
Estas
ofertas não podiam mudar a mente de judeus e nem de gentios, que permaneciam
sob o pecado estando debaixo da Lei do pecado, pois, mesmo com estes
sacrifícios, o pecado permanecia sobre eles já que a consciência não era
aperfeiçoada. Todavia, em Cristo, tanto os judeus quanto os gentios tiveram
suas mentes purificadas e, agora, podem ser chamados de justos, não havendo
mais diferença entre estes dois povos, os quais já não mais estão debaixo do
pecado. Paulo nos diz que, se a herança provém da Lei, já não é segundo a
promessa, pois quando Deus fez a promessa era segundo a justiça da fé e não
segundo a justiça da Lei.
Confira o estudo em vídeo:
Confira o estudo em vídeo:

Excelente estudo! Quando puder e se quiser é claro, fale um pouco sobre a ceia, sobre o contraste da ceia feita por Jesus com seus discípulos e a ceia celebrada hoje em dia pelos cristãos. Deus abençoe!
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