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A Tenda de Davi 1ª Parte



O Coração de Davi

A Tenda de Davi é uma grande expressão da Graça de Deus por meio de um ato profético inspirado por Deus, mediante o Espírito, na vida do Rei e Profeta Davi. Tenhamos em conta que Davi era uma expressão do Filho de Deus que haveria de vir ao mundo reconciliar os homens para com Deus, mas Davi teve suas falhas e, por algumas vezes, desobedeceu a Palavra do Senhor.
Aquele que havia de vir seria chamado Filho de Deus, pois o mesmo era do céu e não da terra, porém Davi nasceu como um homem qualquer, nasceu em carne e morreu como qualquer outro. Davi foi escolhido por Deus para liderar o povo de Israel e, como revela a Palavra, este tinha um coração segundo o dEle e colocava toda sua confiança no Deus que o criou. Por isso, devemos nos atentar muito para os atos de Davi, através dos quais Deus expressou sua vontade. Por meio dele o coração de Deus se manifestou em atos proféticos que revelavam o seu Filho e seu ministério.
Davi compreendeu muitas coisas que estavam escritas na Lei de Deus, mas não de forma carnal e literal, mas sim da forma que Deus quis que fosse compreendida, pois o coração de Davi era segundo o coração de Deus. Quando o Senhor deu a Lei de Moisés, falou por meio de figuras através de mandamentos e ordenanças que apontavam para o Messias, aquele que se manifestaria na plenitude dos tempos, como está expresso:

Salmos 40:6-7 (LXX)

“Sacrifícios e ofertas pelo pecado não quiseste; mas um corpo me preparaste. Então eu disse: Eis que no Rolo do Livro está escrito a Meu Respeito. Meu Desejo e fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei no meio do meu coração.”


Neste salmo, Davi expressa a vontade de Deus. O Senhor não tinha prazer em sacrifícios e holocaustos, ainda que tenha sido ordenado na Lei por meio de Moisés e que, durante muitos anos, o povo havia oferecido para poder ter o perdão dos seus pecados, sendo repetido todos os anos ao se humilharem perante Deus no dia da Expiação. Mas Davi compreendeu, mediante o Espírito e as Escrituras, que esta não era a vontade de Deus e que no coração de Deus havia o desejo pela mudança da mente dos homens e aperfeiçoamento dos mesmos, para que prestassem um culto racional, o que não era possível por meio de sacrifícios de animais mortos, mas apenas pelo sangue de Cristo.
Este é um salmo profético que aponta para o sacrifício de Cristo, sendo expresso por Davi com o intuito de mostrar que a vontade de Deus seria cumprida por meio do Corpo de Cristo e não do homem, pois vemos a expressão "um corpo me formaste". Porém, devo lembrar que nas traduções hebraicas do antigo testamento há uma pequena variação, mas que é compreensível, e por isso utilizei a Septuaginta que está de acordo com a carta aos Hebreus.
Neste salmo, Davi revela a vontade que estava no coração de Deus, isto é, o Corpo e não os sacrifícios. Quando ele utiliza a expressão “no rolo do Livro está escrito a meu Respeito”, fica evidente que no livro, ou seja, na Lei, os holocaustos e sacrifícios falavam deste que ofereceria seu corpo para ser entregue e fazer a vontade de Deus. Para os outros isto estava oculto, porém a Davi foi revelado.

O Êxodo

Antes de falarmos sobre Davi, devemos olhar para as coisas que o antecederam e compreender o que Deus quis apontar através da Lei, dada por meio de figuras proféticas que apontavam para coisas futuras. Quando Deus tirou Israel do Egito, a sua vontade era que este povo fosse santo e cresse da mesma forma que seu pai Abraão creu, e que, como ele, fosse um povo obediente à sua palavra e escutasse a sua voz como a própria Lei testifica. Porém, o povo se tornou insubordinado, rebelde e duvidou do poder de Deus, murmurando contra o mesmo no deserto. Não foi assim com Abraão, pois, quando ele foi chamado por Deus, saiu imediatamente da terra de Ur para a terra a qual Deus havia designado, sem murmurar ou duvidar. Deus tinha em mente constituir um povo santo que fosse segundo a sua vontade e estabelecer um reino que fosse luz e modelo para as nações, assim como foram seus pais Abraão, Isaque e Jacó. Deus queria estabelecer um reino sacerdotal e plantar os mesmos na terra que havia prometido para os patriarcas, fazendo tudo segundo a promessa que lhes havia dito, a fim de estabelecê-los na herança, mas que acabou sendo desprezada pelos mesmos, como ainda veremos. 
Durante o tempo em que o povo estava no Egito, Deus usou de sinais e maravilhas para libertar este povo da fornalha de fogo e do poder de Faraó, para que assim o povo viesse a crer, pois nunca se havia efetuado tais sinais em nenhuma outra terra. Dali o povo saiu e foi para uma terra a fim de tomar posse de uma herança. Durante o caminho que se seguia para o deserto, depois do derramamento do sangue do cordeiro, o povo murmurou contra Deus, não crendo que Ele era poderoso para fazê-los atravessar as águas do Mar Vermelho, dizendo que deveriam ter ficado no Egito. Assim, atestaram que seu coração ainda permanecia no Egito, de onde Deus os havia tirado.

O Cântico

Depois de atravessado o Mar Vermelho, Moisés e os filhos de Israel deram um testemunho profético que revela muitas coisas acerca do tempo presente e das coisas que estavam no coração de Deus, as quais seriam posteriormente compreendidas por Davi, que por um ato profético revelaria qual era a vontade de Deus. Diz a Lei:




Êxodo 10:1

Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e disseram: Cantarei ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

Ao dizer “Moisés e os filhos de Israel”, o versículo está nos informando que o cântico estava sendo proferido pelo povo e por Moisés, em uma só voz, exaltando ao Deus e criador de todas as coisas, glorificando suas maravilhas e feitos para com os inimigos que se levantavam contra eles.
Um detalhe importante a ser considerado sobre esse cântico é que ele é profético e possui elementos que revelam coisas não apenas sobre aquele povo, mas sobre o povo que se manifestaria no futuro. Podemos perceber que este povo não falou por si, mas profetizaram, já que era impossível que seiscentos mil homens cantassem um cântico sem ensaiar e ainda proferissem coisas que falavam sobre o futuro. Assim, percebemos que o texto nos revela que o Espírito estava sobre eles.
Agora vamos nos atentar para as expressões proféticas que Deus nos fornece, através das quais compreenderemos o que se daria a nós, pois aquele povo não poderia se tornar participantes destas coisas:

Êxodo 15:16-18

“Sobre eles cai espanto e pavor; pela grandeza do teu braço, emudecem como pedra; até que passe o teu povo, ó SENHOR, até que passe o povo que adquiriste. Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança, no lugar que aparelhaste, ó SENHOR, para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. O SENHOR reinará por todo o sempre.”

 Veja que o texto nos diz “no tabernáculo que as tuas mãos estabeleceram”, ou seja,  “tuas mãos” certamente não fala de mãos de homens. A expressão “Tu os Introduzirás” nos revela que não seria a eles que tais coisas se manifestariam, mas a outros que haveriam de se levantar no futuro. Quando diz sobre “introduzir no Tabernáculo”, o texto está nos falando sobre o Sacerdócio, pois o tabernáculo era o lugar onde ministravam aqueles que, segundo a Lei, foram chamados para servir, isto é, os da tribo de Levi, mas filhos de Arão.

O texto deixa claro que ali falava da introdução neste tabernáculo, pois em nenhum momento afirmou se tratar de Levi adentrando no mesmo, mas sim do povo remido que foi tirado por meio de prodígios e sinais e que agora iria até a terra da herança. Portanto, não fala só a respeito de Arão, mas de todos os que saíram da escravidão e foram redimidos por meio de Deus. Ainda vemos que, juntamente com Israel, saíram muitos gentios, sendo isto uma figura para o tempo presente, como veremos mais adiante neste mesmo texto.

Sacerdócio Segundo Israel

Aqui vemos a realidade do que Deus realmente queria, introduzir o povo remido em um tabernáculo estabelecido por suas próprias mãos e não pelas mãos do homem, e aqueles que teriam parte neste tabernáculo seriam os que foram redimidos. Mas, por causa da falta de fé, o povo não poderia ser introduzido neste tabernáculo, já que sem fé não poderiam ser justificados dos seus pecados. Além disso, o Messias ainda não havia se manifestado para que de fato os mesmos fossem justificados. 
Sabemos que se há pecado, há separação de Deus, por isso é dito “tu os introduzirá” ou seja, o povo seria justificado por meio de Cristo e herdaria as promessas que Deus deu aos patriarcas. Deus já estava dando de antemão um testemunho de que esses não foram achados aprovados para participarem de tais coisas e que outros que se manifestariam é que de fato teriam parte neste tabernáculo. Porém, Deus não deixou de oferecer-lhes esta oportunidade, mesmo sabendo que os tais não seriam qualificados para poderem participar disso.

Atentemos para o que diz o livro de Êxodo no capítulo 19:


Êxodo 19:3-6

“Subiu Moisés a Deus, e do monte o SENHOR o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.”



Deus apresentou-lhes a oportunidade de participarem de um reino sacerdotal em que não apenas Arão teria acesso à presença de Deus, mas todas as doze tribos. Veja que ele diz “falarás à casa de Jacó e anunciará aos filhos de Israel”, nos mostrando que Deus não se referia a Arão, mas às doze tribos, sendo que “a casa de Jacó” designa todo o Israel e não apenas Levi. Mas, para isso, Deus deu uma condição ao povo dizendo “se ouvirdes a minha voz e guardardes a aliança”, e então o povo disse em uma só voz que fariam tudo o que o Senhor falou. Ao terceiro dia, Deus desceu do Sinai e anunciou com sua voz, ao som de trombeta, a sua Aliança, que eram os dez mandamentos. Depois disto, Moisés subiu até Deus e permaneceu no monte por quarenta dias, onde recebeu de Deus as tábuas da Aliança que continham os mandamentos que deveriam ser guardados pelo povo. Porém, quando este período estava a chegando ao fim, o povo, por não ser paciente, levantou um bezerro de ouro para adorar e prostituir-se, quebrando assim a Aliança proposta.


O Arrependimento de Levi

Quando Moisés desceu do monte, quebrou as tábuas da Aliança para demonstrar que eles haviam quebrado a Aliança de Deus. Muitos pensam que Moisés fez isso de forma equivocada, mas não, o próprio Deus fez ele fazer isso, para demonstrar que os mesmos profanaram aquilo que haviam dito que cumpririam. Deus, naquele momento, concedeu oportunidade para que o povo se arrependesse, conforme Moisés disse:

Êxodo 32:26-28 (NTLH)

“Então ficou na entrada do acampamento e disse: —Quem estiver do lado de Deus, o SENHOR, que chegue até aqui! Então todos os levitas se reuniram em volta de Moisés, e ele disse: —O SENHOR, o Deus do povo de Israel, manda que cada um de vocês pegue a sua espada e vá pelo acampamento, de ponta a ponta, matando os seus parentes, os seus amigos e os seus vizinhos. Os levitas obedeceram à ordem de Moisés e mataram naquele dia mais ou menos três mil homens.”




Moisés perguntou a todo o povo “quem estiver do lado de Deus, o Senhor, chegue até aqui”, porém de todos os que pecaram apenas a casa de Levi voltou para Deus, se reunindo em volta de Moisés, demonstrando arrependimento e desejo de voltar para o Senhor. O restante do povo permaneceu debaixo do seu erro e, devido a atitude que os levitas tiveram, Moisés proferiu uma benção sobre eles, conforme dirá o texto:

Êxodo 32:29

“Moisés disse aos levitas: —Hoje vocês mataram os seus filhos e os seus irmãos e assim se consagraram como sacerdotes para o serviço de Deus, o SENHOR. E, porque vocês fizeram isso, Deus lhes deu hoje uma bênção.”

Os levitas foram os únicos que se arrependeram do seu pecado e retornaram a Deus, e por isso receberam o privilégio de serem sacerdotes de Deus. Mas, os restantes das tribos perderam a oportunidade que Deus, no princípio, havia dado para todos, e que agora caiu apenas sobre Levi. Veja que a condição que Deus deu no monte Sinai foi quebrada, mas Levi foi o único que obedeceu a Deus e teve parte no ministério do tabernáculo, pois, quando mataram os transgressores e se voltaram para Moisés, demonstraram crer na promessa de Deus. Agora podemos compreender o porquê daquela profecia de Êxodo 15 dizer “Tu os Introduzirás” e não “Nos introduzirás”, pois Deus já estava revelando que aquilo não se destinava a eles, mas a outros.



Separação dos homens para com Deus

Deus agora designou os levitas por ministros do santuário e especificamente Arão como sumo sacerdote e seus filhos como sacerdotes, mas Arão era o único que poderia se achegar a Deus uma vez por ano, no dia da Expiação. Referente a isto, vemos que apenas uma tribo estava tendo acesso à presença de Deus e que os únicos que poderiam se achegar a Deus eram os sacerdotes, pois mesmo que não adentrassem ao Santo dos Santos, ainda assim entravam no tabernáculo.
Portanto, dentre todas as tribos, a única que está se achegando a Deus é a tribo de Levi, pois as outras não se achegaram a Deus e nem foram introduzidas no tabernáculo, diferentemente do que havia sido dito no cântico de Êxodo 15, no qual fala sobre todo o povo ser introduzido no tabernáculo. Diz o profeta:

Isaías 59:2
“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.”

O povo estava separado de Deus devido a sua iniquidade. Até mesmo para que Arão pudesse se achegar a Deus, o mesmo deveria passar por todo um processo que aconteceria no dia da Expiação, e assim estaria apto a entrar na presença do Senhor. Nisto existe um testemunho para nós, pois se o povo não estava entrando na presença de Deus, logo a Lei nos mostra que o povo estava debaixo do pecado, pois é o pecado que separa o homem de Deus. Atente para o fato de que no véu que separava o Santo Lugar do Santo dos Santos existia uma figura de querubins, não sendo por acaso, pois Deus quis fazer uma ligação com o evento que se deu no Éden, através do qual a raça humana foi expulsa do paraíso por causa do pecado do homem, perdendo o acesso à Árvore da Vida. O que impedia o homem de chegar novamente ao paraíso era justamente um querubim, bloqueando a passagem do homem para que não comesse do fruto da vida. Deus está mostrando que este querubim representa a separação do homem para com Deus, mas em um momento o Sumo Sacerdote passava pela barreira dos querubins e se achegava a Deus, fazendo uma alusão a Cristo se achegando à presença de Deus que estava nos céus.

Atos Proféticos de Davi

Depois que o povo entrou na terra prometida, quando atravessou o Jordão, o Tabernáculo do Testemunho ficou estabelecido em Siló, de maneira que o povo ia até lá e neste tabernáculo estava contido a Arca da Aliança com os mandamentos de Deus. A Arca da Aliança permaneceu neste lugar até que o povo a tirou dali, levando-a para a peleja contra os filisteus. Entretanto, estes prevaleceram sobre os filhos de Israel e roubaram a Arca para seu território. Porém, devido às pragas que ocorreram na região dos filisteus, eles a mandaram de volta para a terra de Israel, onde ficou estabelecida na casa de Abinadabe, o Levita. Mas, passando-se alguns anos, Davi tirou a arca da casa deste, mas que, devido a morte de Uzá, foi deixada na casa de Obede-Edom durante três meses, período durante o qual Deus abençoou sua casa. Davi, vendo que tal sucedera, tomou a Arca novamente e a levou para sua cidade, a Cidade de Davi.

Neste ponto começaremos a compreender o que de fato significavam os atos proféticos e Davi, os quais futuramente apareceriam nas palavras dos profetas, como segue:


Amós 9:11

“Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei as suas brechas; e, levantando-o das suas ruínas, restaurá-lo-ei como fora nos dias da antiguidade;”

Como vimos no início do estudo, Davi traz para nós uma grande realidade profética. Dentre todos os personagens bíblicos, ele é um dos que mais tipificava o Messias que haveria de vir. Davi estabeleceu na Cidade de Davi uma tenda para que a arca pudesse ser colocada, porém em nenhum momento na Lei vemos Moisés ordenando o estabelecimento de um outro local além do tabernáculo do testemunho para o repouso da mesma. Lembramos que nos salmos, Davi expressou o que de fato era a vontade de Deus e que, assim como sacrifícios e ofertas pelo pecado não eram da vontade de Deus, que por sinal eram feitos no tabernáculo de Moisés, também este tabernáculo edificado por mãos dos homens também não era.
Como vimos, no princípio Deus queria estabelecer o povo em um tabernáculo onde não havia separação, em que todas as tribos seriam como um Reino Sacerdotal. Davi compreendeu, por meio das Escrituras, que o povo estava debaixo de uma coisa que não era a vontade de Deus. Ele estabeleceu esta tenda por inspiração do próprio Deus, como um ato profético para demonstrar a Graça que nos seria dada por meio de Cristo, e isto quando estes entrassem por nós em um tabernáculo não estabelecido por mãos, mas por Deus.


Rei e Sacerdote

O Profeta Zacarias, falando sobre o Messias que haveria de vir, revelou por meio de simbolismos proféticos, na vida de Josué e Zorobabel, contextos do ministério do Filho de Deus. Isto ficou oculto aos homens por muito tempo, mas no tempo dos Apóstolos, Deus, por meio do Espírito, revelou ao seus servos as glórias que se cumpririam no Filho, conforme veremos: 

Zacarias 6:13
“Ele mesmo edificará o templo do SENHOR e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios.”

Como foi ressaltado no texto acima, esta profecia de Zacarias revela muitas coisas acerca de Jesus, pois veja que, segundo o texto, aquele que edificaria Templo ao Senhor se chamava Josué (para compreender leia todo o capítulo 6). Para quem não sabe, este nome “Josué” é o mesmo nome “Yeshua” ou “Yehosua”, que é precisamente o mesmo nome de Jesus em hebraico. Neste texto, Jesus foi chamado de Renovo, o qual brotaria e do seu lugar edificaria uma casa ao Senhor. Entretanto, muitos pensam que esta profecia se refere a Josué, o sacerdote que literalmente edificou o templo de Jerusalém com Zorobabel, mas aqui Deus estava falando das coisas futuras, pois o sacerdote Josué nunca reinou sobre o povo de Israel como aponta o texto. Perceba as expressões “assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono”, em que vemos claramente um rei, mas que também seria sacerdote, se assentaria em seu trono e teria perfeita harmonia nos dois ofícios. Mas não é só neste ponto que Deus trata sobre um Rei e Sacerdote, portanto vejamos o que diz o Salmo 110:

Salmo 110:2-4
“O SENHOR enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos. Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder; com santos ornamentos, como o orvalho emergindo da aurora, serão os teus jovens. O SENHOR jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”


Neste salmo vemos um que se assentou à destra de Deus e foi constituído sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. A expressão “cetro do seu poder” indica claramente um domínio e reinado, ou seja, o texto está nos apresentando um que seria Sacerdote, mas que também seria Rei. Como sabemos, este salmo fala sobre a ascensão de Jesus aos céus, onde seria constituído Rei e Sacerdote, mas que no tempo determinado pelo Pai voltaria e tomaria posse do Reino, entregando a herança dos santos.
                Quis expor estas profecias para que pudéssemos compreender aquilo que Deus queria nos mostrar através do ministério de Davi, o que também foi demonstrado nos profetas em outros personagens bíblicos. Davi compreendeu muitas coisas na Lei, não com o véu de Moisés, mas olhando para a glória que havia na Lei que revela Cristo. Atentemos para alguns atos de Davi:

2 Samuel 6:14
Davi dançava com todas as suas forças diante do SENHOR; e estava cingido de uma estola sacerdotal de linho.

Davi, neste momento, estava para introduzir a Arca da Aliança na tenda que havia armado na Cidade de Davi:

2 Samuel 6:17
Introduziram a arca do SENHOR e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR.

              Aqui temos dois pontos proféticos que apontam para muitas coisas, mas principalmente para a Graça e para o Ministério do Filho de Deus. Perceba que no momento em que a Arca foi introduzida na Tenda de Davi, o mesmo estava vestindo uma estola sacerdotal, apesar de ser da tribo de Judá, e com ele estava reunido todo o Israel. Aqui vemos claramente a figura de um Rei usando uma estola Sacerdotal, o que aponta para um sacerdócio. Ou seja, vemos um rei que é sacerdote e que introduzirá a Arca da Aliança em um tabernáculo, uma habitação para Deus. Lembremo-nos do que foi dito no profeta Zacarias, que este que era Rei e Sacerdote edificaria uma morada ao Senhor. Aqui vemos a mesma coisa, Davi como Rei e Sacerdote introduzindo o Senhor na morada que havia construído, que se chamava tenda de Davi. O tabernáculo que Deus mandou edificar segundo a Lei estava em Siló, mas este era outro, onde não havia divisões e que estava de uma forma que todo o povo tinha acesso a ela, já que não havia o véu da separação, portanto todos poderiam contemplar a glória da Arca. Percebemos que neste ponto não era só Arão que estava se achegando a Deus, mas todo o povo, as doze tribos. Logo, aqui temos um reino sacerdotal onde um sacerdote da tribo de Davi construiu um tabernáculo em que o povo não ficava separado de Deus.

Vemos que aqui Deus nos mostra aquilo que já havia sido dito no passado, que o povo deveria ser constituído Reino Sacerdotal, e não apenas Levi e os filhos de Arão, mas todas as doze tribos.


Continua...

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