O Coração de Davi
A Tenda de
Davi é uma grande expressão da Graça de Deus por meio de um ato profético inspirado
por Deus, mediante o Espírito, na vida do Rei e Profeta Davi. Tenhamos em conta
que Davi era uma expressão do Filho de Deus que haveria de vir ao mundo
reconciliar os homens para com Deus, mas Davi teve suas falhas e, por algumas
vezes, desobedeceu a Palavra do Senhor.
Aquele que
havia de vir seria chamado Filho de Deus, pois o mesmo era do céu e não da
terra, porém Davi nasceu como um homem qualquer, nasceu em carne e morreu como
qualquer outro. Davi foi escolhido por Deus para liderar o povo de Israel e, como
revela a Palavra, este tinha um coração segundo o dEle e colocava toda sua
confiança no Deus que o criou. Por isso, devemos nos atentar muito para os atos
de Davi, através dos quais Deus expressou sua vontade. Por meio dele o coração de
Deus se manifestou em atos proféticos que revelavam o seu Filho e seu
ministério.
Davi
compreendeu muitas coisas que estavam escritas na Lei de Deus, mas não de forma
carnal e literal, mas sim da forma que Deus quis que fosse compreendida, pois o
coração de Davi era segundo o coração de Deus. Quando o Senhor deu a Lei de
Moisés, falou por meio de figuras através de mandamentos e ordenanças que
apontavam para o Messias, aquele que se manifestaria na plenitude dos tempos, como
está expresso:
Salmos 40:6-7 (LXX)
Salmos 40:6-7 (LXX)
“Sacrifícios e ofertas pelo pecado não quiseste; mas um corpo me preparaste. Então eu disse: Eis que no Rolo do Livro está escrito a Meu Respeito. Meu Desejo e fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei no meio do meu coração.”
Neste salmo,
Davi expressa a vontade de Deus. O Senhor não tinha prazer em sacrifícios e
holocaustos, ainda que tenha sido ordenado na Lei por meio de Moisés e que,
durante muitos anos, o povo havia oferecido para poder ter o perdão dos seus
pecados, sendo repetido todos os anos ao se humilharem perante Deus no dia da
Expiação. Mas Davi compreendeu, mediante o Espírito e as Escrituras, que esta
não era a vontade de Deus e que no coração de Deus havia o desejo pela mudança
da mente dos homens e aperfeiçoamento dos mesmos, para que prestassem um culto
racional, o que não era possível por meio de sacrifícios de animais mortos, mas
apenas pelo sangue de Cristo.
Este é um salmo profético que
aponta para o sacrifício de Cristo, sendo expresso por Davi com o intuito de
mostrar que a vontade de Deus seria cumprida por meio do Corpo de Cristo e não
do homem, pois vemos a expressão "um
corpo me formaste". Porém, devo lembrar que nas traduções hebraicas do
antigo testamento há uma pequena variação, mas que é compreensível, e por isso
utilizei a Septuaginta que está de acordo com a carta aos Hebreus.
Neste salmo,
Davi revela a vontade que estava no coração de Deus, isto é, o Corpo e não os
sacrifícios. Quando ele utiliza a expressão “no rolo do Livro está escrito a
meu Respeito”, fica evidente que no livro, ou seja, na Lei, os holocaustos
e sacrifícios falavam deste que ofereceria seu corpo para ser entregue e fazer
a vontade de Deus. Para os outros isto estava oculto, porém a Davi foi
revelado.
O Êxodo
Antes de
falarmos sobre Davi, devemos olhar para as coisas que o antecederam e
compreender o que Deus quis apontar através da Lei, dada por meio de figuras
proféticas que apontavam para coisas futuras. Quando Deus tirou Israel do Egito,
a sua vontade era que este povo fosse santo e cresse da mesma forma que seu pai
Abraão creu, e que, como ele, fosse um povo obediente à sua palavra e escutasse
a sua voz como a própria Lei testifica. Porém, o povo se tornou insubordinado,
rebelde e duvidou do poder de Deus, murmurando contra o mesmo no deserto. Não
foi assim com Abraão, pois, quando ele foi chamado por Deus, saiu imediatamente
da terra de Ur para a terra a qual Deus havia designado, sem murmurar ou
duvidar. Deus tinha em mente constituir um povo santo que fosse segundo a sua
vontade e estabelecer um reino que fosse luz e modelo para as nações, assim
como foram seus pais Abraão, Isaque e Jacó. Deus queria estabelecer um reino
sacerdotal e plantar os mesmos na terra que havia prometido para os patriarcas,
fazendo tudo segundo a promessa que lhes havia dito, a fim de estabelecê-los na
herança, mas que acabou sendo desprezada pelos mesmos, como ainda veremos.
Durante o
tempo em que o povo estava no Egito, Deus usou de sinais e maravilhas para
libertar este povo da fornalha de fogo e do poder de Faraó, para que assim o
povo viesse a crer, pois nunca se havia efetuado tais sinais em nenhuma outra terra.
Dali o povo saiu e foi para uma terra a fim de tomar posse de uma herança.
Durante o caminho que se seguia para o deserto, depois do derramamento do
sangue do cordeiro, o povo murmurou contra Deus, não crendo que Ele era
poderoso para fazê-los atravessar as águas do Mar Vermelho, dizendo que
deveriam ter ficado no Egito. Assim, atestaram que seu coração ainda permanecia
no Egito, de onde Deus os havia tirado.
O Cântico
Depois de
atravessado o Mar Vermelho, Moisés e os filhos de Israel deram um testemunho
profético que revela muitas coisas acerca do tempo presente e das coisas que
estavam no coração de Deus, as quais seriam posteriormente compreendidas por
Davi, que por um ato profético revelaria qual era a vontade de Deus. Diz a Lei:
Êxodo 10:1
“Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico
ao SENHOR, e disseram: Cantarei ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente;
lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.”
Ao dizer “Moisés e os filhos de Israel”, o
versículo está nos informando que o cântico estava sendo proferido pelo povo e
por Moisés, em uma só voz, exaltando ao Deus e criador de todas as coisas, glorificando
suas maravilhas e feitos para com os inimigos que se levantavam contra eles.
Um detalhe
importante a ser considerado sobre esse cântico é que ele é profético e possui
elementos que revelam coisas não apenas sobre aquele povo, mas sobre o povo que
se manifestaria no futuro. Podemos perceber que este povo não falou por si, mas
profetizaram, já que era impossível que seiscentos mil homens cantassem um
cântico sem ensaiar e ainda proferissem coisas que falavam sobre o futuro. Assim,
percebemos que o texto nos revela que o Espírito estava sobre eles.
Agora vamos nos
atentar para as expressões proféticas que Deus nos fornece, através das quais compreenderemos
o que se daria a nós, pois aquele povo não poderia se tornar participantes
destas coisas:
Êxodo 15:16-18
“Sobre eles cai espanto e pavor; pela grandeza
do teu braço, emudecem como pedra; até que passe o teu povo, ó SENHOR, até que
passe o povo que adquiriste. Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua
herança, no lugar que aparelhaste, ó SENHOR, para a tua habitação, no
santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. O SENHOR reinará por todo
o sempre.”
Veja que o texto nos diz “no tabernáculo que as tuas mãos
estabeleceram”, ou seja, “tuas mãos” certamente não fala de mãos
de homens. A expressão “Tu os
Introduzirás” nos revela que não seria a eles que tais coisas se
manifestariam, mas a outros que haveriam de se levantar no futuro. Quando diz
sobre “introduzir no Tabernáculo”, o
texto está nos falando sobre o Sacerdócio, pois o tabernáculo era o lugar onde
ministravam aqueles que, segundo a Lei, foram chamados para servir, isto é, os
da tribo de Levi, mas filhos de Arão.
O texto
deixa claro que ali falava da introdução neste tabernáculo, pois em nenhum
momento afirmou se tratar de Levi adentrando no mesmo, mas sim do povo remido que
foi tirado por meio de prodígios e sinais e que agora iria até a terra da
herança. Portanto, não fala só a respeito de Arão, mas de todos os que saíram
da escravidão e foram redimidos por meio de Deus. Ainda vemos que, juntamente
com Israel, saíram muitos gentios, sendo isto uma figura para o tempo presente,
como veremos mais adiante neste mesmo texto.
Sacerdócio Segundo Israel
Aqui vemos a
realidade do que Deus realmente queria, introduzir o povo remido em um
tabernáculo estabelecido por suas próprias mãos e não pelas mãos do homem, e
aqueles que teriam parte neste tabernáculo seriam os que foram redimidos. Mas,
por causa da falta de fé, o povo não poderia ser introduzido neste tabernáculo,
já que sem fé não poderiam ser justificados dos seus pecados. Além disso, o
Messias ainda não havia se manifestado para que de fato os mesmos fossem
justificados.
Sabemos que
se há pecado, há separação de Deus, por isso é dito “tu os introduzirá” ou seja, o povo seria justificado por meio de
Cristo e herdaria as promessas que Deus deu aos patriarcas. Deus já estava
dando de antemão um testemunho de que esses não foram achados aprovados para
participarem de tais coisas e que outros que se manifestariam é que de fato
teriam parte neste tabernáculo. Porém, Deus não deixou de oferecer-lhes esta
oportunidade, mesmo sabendo que os tais não seriam qualificados para poderem
participar disso.
Atentemos para o que diz o
livro de Êxodo no capítulo 19:
Êxodo
19:3-6
“Subiu Moisés a Deus, e do monte o
SENHOR o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos
filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre
asas de águia e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha
voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar
dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de
sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de
Israel.”
Deus
apresentou-lhes a oportunidade de participarem de um reino sacerdotal em que não
apenas Arão teria acesso à presença de Deus, mas todas as doze tribos. Veja que
ele diz “falarás à casa de Jacó e
anunciará aos filhos de Israel”, nos mostrando que Deus não se referia a
Arão, mas às doze tribos, sendo que “a casa de Jacó” designa todo o Israel e
não apenas Levi. Mas, para isso, Deus deu uma condição ao povo dizendo “se ouvirdes a minha voz e guardardes a aliança”,
e então o povo disse em uma só voz que fariam tudo o que o Senhor falou. Ao
terceiro dia, Deus desceu do Sinai e anunciou com sua voz, ao som de trombeta,
a sua Aliança, que eram os dez mandamentos. Depois disto, Moisés subiu até Deus
e permaneceu no monte por quarenta dias, onde recebeu de Deus as tábuas da
Aliança que continham os mandamentos que deveriam ser guardados pelo povo. Porém,
quando este período estava a chegando ao fim, o povo, por não ser paciente,
levantou um bezerro de ouro para adorar e prostituir-se, quebrando assim a
Aliança proposta.
O Arrependimento de Levi
Quando
Moisés desceu do monte, quebrou as tábuas da Aliança para demonstrar que eles
haviam quebrado a Aliança de Deus. Muitos pensam que Moisés fez isso de forma
equivocada, mas não, o próprio Deus fez ele fazer isso, para demonstrar que os
mesmos profanaram aquilo que haviam dito que cumpririam. Deus, naquele momento,
concedeu oportunidade para que o povo se arrependesse, conforme Moisés disse:
Êxodo 32:26-28 (NTLH)
Êxodo 32:26-28 (NTLH)
“Então ficou na entrada do acampamento e disse: —Quem estiver do lado de Deus, o SENHOR, que chegue até aqui! Então todos os levitas se reuniram em volta de Moisés, e ele disse: —O SENHOR, o Deus do povo de Israel, manda que cada um de vocês pegue a sua espada e vá pelo acampamento, de ponta a ponta, matando os seus parentes, os seus amigos e os seus vizinhos. Os levitas obedeceram à ordem de Moisés e mataram naquele dia mais ou menos três mil homens.”
Moisés
perguntou a todo o povo “quem estiver do
lado de Deus, o Senhor, chegue até aqui”, porém de todos os que pecaram
apenas a casa de Levi voltou para Deus, se reunindo em volta de Moisés, demonstrando
arrependimento e desejo de voltar para o Senhor. O restante do povo permaneceu
debaixo do seu erro e, devido a atitude que os levitas tiveram, Moisés proferiu
uma benção sobre eles, conforme dirá o texto:
Êxodo
32:29
“Moisés disse aos levitas: —Hoje vocês
mataram os seus filhos e os seus irmãos e assim se consagraram como sacerdotes
para o serviço de Deus, o SENHOR. E, porque vocês fizeram isso, Deus lhes deu
hoje uma bênção.”
Os levitas
foram os únicos que se arrependeram do seu pecado e retornaram a Deus, e por
isso receberam o privilégio de serem sacerdotes de Deus. Mas, os restantes das
tribos perderam a oportunidade que Deus, no princípio, havia dado para todos, e
que agora caiu apenas sobre Levi. Veja que a condição que Deus deu no monte
Sinai foi quebrada, mas Levi foi o único que obedeceu a Deus e teve parte no
ministério do tabernáculo, pois, quando mataram os transgressores e se voltaram
para Moisés, demonstraram crer na promessa de Deus. Agora podemos compreender o
porquê daquela profecia de Êxodo 15 dizer “Tu
os Introduzirás” e não “Nos
introduzirás”, pois Deus já estava revelando que aquilo não se destinava a
eles, mas a outros.
Separação dos homens para com Deus
Deus agora
designou os levitas por ministros do santuário e especificamente Arão como sumo
sacerdote e seus filhos como sacerdotes, mas Arão era o único que poderia se
achegar a Deus uma vez por ano, no dia da Expiação. Referente a isto, vemos que
apenas uma tribo estava tendo acesso à presença de Deus e que os únicos que
poderiam se achegar a Deus eram os sacerdotes, pois mesmo que não adentrassem
ao Santo dos Santos, ainda assim entravam no tabernáculo.
Portanto,
dentre todas as tribos, a única que está se achegando a Deus é a tribo de Levi,
pois as outras não se achegaram a Deus e nem foram introduzidas no tabernáculo,
diferentemente do que havia sido dito no cântico de Êxodo 15, no qual fala
sobre todo o povo ser introduzido no tabernáculo. Diz o profeta:
Isaías 59:2
“Mas as vossas iniqüidades fazem
separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de
vós, para que vos não ouça.”
O povo estava
separado de Deus devido a sua iniquidade. Até mesmo para que Arão pudesse se
achegar a Deus, o mesmo deveria passar por todo um processo que aconteceria no
dia da Expiação, e assim estaria apto a entrar na presença do Senhor. Nisto
existe um testemunho para nós, pois se o povo não estava entrando na presença
de Deus, logo a Lei nos mostra que o povo estava debaixo do pecado, pois é o
pecado que separa o homem de Deus. Atente para o fato de que no véu que separava
o Santo Lugar do Santo dos Santos existia uma figura de querubins, não sendo por
acaso, pois Deus quis fazer uma ligação com o evento que se deu no Éden,
através do qual a raça humana foi expulsa do paraíso por causa do pecado do
homem, perdendo o acesso à Árvore da Vida. O que impedia o homem de chegar
novamente ao paraíso era justamente um querubim, bloqueando a passagem do homem
para que não comesse do fruto da vida. Deus está mostrando que este querubim
representa a separação do homem para com Deus, mas em um momento o Sumo
Sacerdote passava pela barreira dos querubins e se achegava a Deus, fazendo uma
alusão a Cristo se achegando à presença de Deus que estava nos céus.
Atos Proféticos de Davi
Depois que o
povo entrou na terra prometida, quando atravessou o Jordão, o Tabernáculo do
Testemunho ficou estabelecido em Siló, de maneira que o povo ia até lá e neste
tabernáculo estava contido a Arca da Aliança com os mandamentos de Deus. A Arca
da Aliança permaneceu neste lugar até que o povo a tirou dali, levando-a para a
peleja contra os filisteus. Entretanto, estes prevaleceram sobre os filhos de
Israel e roubaram a Arca para seu território. Porém, devido às pragas que
ocorreram na região dos filisteus, eles a mandaram de volta para a terra de
Israel, onde ficou estabelecida na casa de Abinadabe, o Levita. Mas,
passando-se alguns anos, Davi tirou a arca da casa deste, mas que, devido a
morte de Uzá, foi deixada na casa de Obede-Edom durante três meses, período
durante o qual Deus abençoou sua casa. Davi, vendo que tal sucedera, tomou a
Arca novamente e a levou para sua cidade, a Cidade de Davi.
Neste ponto
começaremos a compreender o que de fato significavam os atos proféticos e Davi,
os quais futuramente apareceriam nas palavras dos profetas, como segue:
Amós 9:11
Amós 9:11
“Naquele dia, levantarei o tabernáculo
caído de Davi, repararei as suas brechas; e, levantando-o das suas ruínas,
restaurá-lo-ei como fora nos dias da antiguidade;”
Como vimos no
início do estudo, Davi traz para nós uma grande realidade profética. Dentre
todos os personagens bíblicos, ele é um dos que mais tipificava o Messias que
haveria de vir. Davi estabeleceu na Cidade de Davi uma tenda para que a arca
pudesse ser colocada, porém em nenhum momento na Lei vemos Moisés ordenando o
estabelecimento de um outro local além do tabernáculo do testemunho para o
repouso da mesma. Lembramos que nos salmos, Davi expressou o que de fato era a
vontade de Deus e que, assim como sacrifícios e ofertas pelo pecado não eram da
vontade de Deus, que por sinal eram feitos no tabernáculo de Moisés, também
este tabernáculo edificado por mãos dos homens também não era.
Como vimos,
no princípio Deus queria estabelecer o povo em um tabernáculo onde não havia
separação, em que todas as tribos seriam como um Reino Sacerdotal. Davi
compreendeu, por meio das Escrituras, que o povo estava debaixo de uma coisa
que não era a vontade de Deus. Ele estabeleceu esta tenda por inspiração do
próprio Deus, como um ato profético para demonstrar a Graça que nos seria dada
por meio de Cristo, e isto quando estes entrassem por nós em um tabernáculo não
estabelecido por mãos, mas por Deus.
Rei e Sacerdote
O Profeta
Zacarias, falando sobre o Messias que haveria de vir, revelou por meio de
simbolismos proféticos, na vida de Josué e Zorobabel, contextos do ministério
do Filho de Deus. Isto ficou oculto aos homens por muito tempo, mas no tempo
dos Apóstolos, Deus, por meio do Espírito, revelou ao seus servos as glórias
que se cumpririam no Filho, conforme veremos:
Zacarias 6:13
“Ele mesmo edificará o templo do
SENHOR e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e
será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios.”
Como foi ressaltado no texto
acima, esta profecia de Zacarias revela muitas coisas acerca de Jesus,
pois veja que, segundo o texto, aquele que edificaria Templo ao Senhor se chamava
Josué (para compreender leia todo o
capítulo 6). Para quem não sabe, este nome “Josué” é o mesmo nome “Yeshua”
ou “Yehosua”, que é precisamente o mesmo nome de Jesus em hebraico. Neste
texto, Jesus foi chamado de Renovo, o qual brotaria e do seu lugar edificaria
uma casa ao Senhor. Entretanto, muitos pensam que esta profecia se refere a
Josué, o sacerdote que literalmente edificou o templo de Jerusalém com
Zorobabel, mas aqui Deus estava falando das coisas futuras, pois o sacerdote
Josué nunca reinou sobre o povo de Israel como aponta o texto. Perceba as
expressões “assentar-se-á no seu trono, e
dominará, e será sacerdote no seu trono”, em que vemos claramente um
rei, mas que também seria sacerdote, se assentaria em seu trono e teria
perfeita harmonia nos dois ofícios. Mas não é só neste ponto que Deus trata
sobre um Rei e Sacerdote, portanto vejamos o que diz o Salmo 110:
Salmo 110:2-4
“O SENHOR enviará de Sião o cetro do
seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos. Apresentar-se-á
voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder; com santos ornamentos, como o
orvalho emergindo da aurora, serão os teus jovens. O SENHOR jurou e não se
arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”
Neste salmo vemos um que se assentou à destra de
Deus e foi constituído sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. A expressão “cetro do seu poder” indica claramente
um domínio e reinado, ou seja, o texto está nos apresentando um que seria
Sacerdote, mas que também seria Rei. Como sabemos, este salmo fala sobre a ascensão
de Jesus aos céus, onde seria constituído Rei e Sacerdote, mas que no tempo
determinado pelo Pai voltaria e tomaria posse do Reino, entregando a herança
dos santos.
Quis expor estas profecias
para que pudéssemos compreender aquilo que Deus queria nos mostrar através do
ministério de Davi, o que também foi demonstrado nos profetas em outros
personagens bíblicos. Davi compreendeu muitas coisas na Lei, não com o véu de
Moisés, mas olhando para a glória que havia na Lei que revela Cristo. Atentemos
para alguns atos de Davi:
2 Samuel 6:14
Davi dançava com todas as suas forças
diante do SENHOR; e estava cingido de uma estola sacerdotal de linho.
Davi, neste momento, estava para introduzir a Arca da Aliança na tenda que
havia armado na Cidade de Davi:
2 Samuel 6:17
Introduziram a
arca do SENHOR e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este
trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR.
Aqui temos dois pontos proféticos que apontam para muitas coisas, mas principalmente para a Graça e para o Ministério do Filho de Deus. Perceba que no momento em que a Arca foi introduzida na Tenda de Davi, o mesmo estava vestindo uma estola sacerdotal, apesar de ser da tribo de Judá, e com ele estava reunido todo o Israel. Aqui vemos claramente a figura de um Rei usando uma estola Sacerdotal, o que aponta para um sacerdócio. Ou seja, vemos um rei que é sacerdote e que introduzirá a Arca da Aliança em um tabernáculo, uma habitação para Deus. Lembremo-nos do que foi dito no profeta Zacarias, que este que era Rei e Sacerdote edificaria uma morada ao Senhor. Aqui vemos a mesma coisa, Davi como Rei e Sacerdote introduzindo o Senhor na morada que havia construído, que se chamava tenda de Davi. O tabernáculo que Deus mandou edificar segundo a Lei estava em Siló, mas este era outro, onde não havia divisões e que estava de uma forma que todo o povo tinha acesso a ela, já que não havia o véu da separação, portanto todos poderiam contemplar a glória da Arca. Percebemos que neste ponto não era só Arão que estava se achegando a Deus, mas todo o povo, as doze tribos. Logo, aqui temos um reino sacerdotal onde um sacerdote da tribo de Davi construiu um tabernáculo em que o povo não ficava separado de Deus.
Vemos que
aqui Deus nos mostra aquilo que já havia sido dito no passado, que o povo
deveria ser constituído Reino Sacerdotal, e não apenas Levi e os filhos de
Arão, mas todas as doze tribos.
Continua...

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